quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Quer me matar

Agora quer me matar.
Por quê? Não sei.
É o continente que fica
Como a alma que sobe.

Sol policial,
Brique pela vitória
Do dia que queima
Contra noite assassina.

Dos vãos metafísicos,
Das vaias e palmas,
Ainda te engana
A água onde se banha.

De maneira alguma,
Cinzas de metal,
A obrigação evapora
Sem declarar o fim.

Agora quer me matar.
Por quê? Não sei.
É o continente que fica
Como a alma que sobe.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O morto

Deseje morrer menos e ser mais vivo.
Os falecidos vivem a cada minuto
Soberanos pelas narinas de algodão.
Deseje viver menos e ser mais morto.
Os alegres se trancam em bolhas.
Pensam neles próprios e caminham
(Os pés amarelos, como maltratam o chão)
Para passar o tecido da própria alma.
Ó zumbi que filosofa com o teto,
Deseja falar, mas só ouve.
Deseja viver e só morre.
Há poucas sutilezas
Que te amam e te machucam por trás,
Colidindo com sua nuca. Chora.
Deseja viver e só morre.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Velharia descontente

Velharia de reclamações intermináveis
e eternamente descontente.
Tenho comido carnes em jantares ao luar.
Tenho comido com espíritos mal intencionados.
Tenho comido lágrimas tolas de ignorância
e visto escorrê-las graciosamente.
E sou menos triste que vocês.
E sou menos triste que o mundo.
As onças vagam pela selva
e têm a quem matar.