domingo, 26 de agosto de 2012

Desconstrução poundiana

Nasci.
Vou beber o que escorre do seu cálice.
Cada parte de você.
Já é meio caminho andado.

O que você quer saber de verdade?
O sim não é resposta para nada.
Deus sabe o quanto é miserável
O que é tão alto ou tão baixo.

Ontem sonhei que alguém me dizia
"Jesus acalma o mar árabe."
Neste apartamento branco
A alma enlouquece docemente.

Saudade da cidade imaginária
Onde os esqueletos dançavam na chuva.
Há muitas escolhas de memórias
Neste estado mental do Sudeste.

Não há nada a se fazer.
Não sou o apóstolo São Paulo.
Não tolero tolos de cara alegre.
Não suspiro na presença animalesca.

Nasci para fugir.
Não é surpresa alguma.
Preso estava quando gritei
"Putin lights up the fires".

Pare se acha que eu me perdi.
Já vi a tristeza dos homens.
Platão quis me expulsar da República.
Sou poeta.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Onde mora o ócio

Chuva escorre e o vento chora
A espalhar aroma da flora.
Delírio onde o ócio mora,
Longe do labor lá fora.

Sou jovem estirado na cama.
Preciso levantar e me arrumar.
Bem ao lado da pessoa que se ama
Busca-se desculpa para trabalhar.

Pés no lençol e mãos na fronha.
Sorriso que ignora tola trama.
Levanta-te Lázaro pecador.

Sente o dia que surge da janela.
Da brecha aberta entre o horror
Do mundo que se cansa com louvor.