Dos olhos castanhos o grito de medo.
Miopia a borrar a loucura de amar.
Não enxergo a essência do segredo.
Mas quanta coragem para chorar.
No escuro penso sobre o que pensam.
Sinto no espírito calor para guardar
As risadas, seja lá de onde venham.
Mas quanta coragem para chorar.
Tento amadurecer, mas ainda é cedo.
A infância do meu destino quero dar
Às alegrias torrenciais do ar seco.
Mas quanta coragem para chorar.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Por palavras de rancor
A vingança é a fé misteriosa
Da oração exposta em painel
Sedento do absoluto na curiosa
Vida à garganta através do tonel.
Por palavras de rancor, queimado.
Humilhação torpe ao cruel autor.
Pelos sons de solidão, enroscado.
Vergonha frete ao divino Criador.
Sozinho revivo o passado. Caverna.
Do presente não me trai ninguém.
Nostalgia epicúrea de caridade terna
Que só a imaginação destruída tem.
Só me resta estar enganado e sorrir.
Com os dentes à mostra quero dormir.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Atalho
Não adianta fugir da natureza.
O longo atalho que leva ao bem
Pode ser o abismo da esperteza.
Corpo no ar, ao céu e além,
Respira o denso infinito e faz
Chover as pedras negras sem
As quais derrete o chão do rapaz
Que um dia multiplicou e deu cor
Ao mundo agora tingido de paz.
Pelas dificuldades se acha esplendor
Da luta através do labirinto suave.
Se não houver falhas, não há repor.
O longo atalho que leva ao bem
Pode ser o abismo da esperteza.
Corpo no ar, ao céu e além,
Respira o denso infinito e faz
Chover as pedras negras sem
As quais derrete o chão do rapaz
Que um dia multiplicou e deu cor
Ao mundo agora tingido de paz.
Pelas dificuldades se acha esplendor
Da luta através do labirinto suave.
Se não houver falhas, não há repor.
terça-feira, 4 de novembro de 2014
Convite
O poeta reflete o ardor
Das palavras que sente.
Nas tônicas cadência de dor
A luz refletida que invade
A janela da ânsia de viver.
Os olhos do poeta à cidade
Convidam as lágrimas a descer.
Das palavras que sente.
Nas tônicas cadência de dor
Separada na tinta fervente.
Nas dobras do papel o pensar
Das ilusões a borrar a tela.
Os limites espaciais do falar
A construir uma ode a ela:
Nas dobras do papel o pensar
Das ilusões a borrar a tela.
Os limites espaciais do falar
A construir uma ode a ela:
A luz refletida que invade
A janela da ânsia de viver.
Os olhos do poeta à cidade
Convidam as lágrimas a descer.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
O cachorro
De sua pelagem morena e negra
Carinho tão intenso se desprende
Que fiquei atormentado somente
Por ter cuidado pouco e menos.
É amor que à casa invade;
Julga, lambe e leva a sério
Cada detalhe do seu hemisfério,
Quem sabe se é anjo ou divindade?
Quando o cachorro que amo,
Como um raio puxa-me o olhar,
Fazendo-o cruelmente voltar
E eu sinto dentro de mim mesmo,
Percebo apaixonadamente
O gelo de suas garras pálidas.
Escuros olhos, vivas íris
Que me machucam fixamente.
Carinho tão intenso se desprende
Que fiquei atormentado somente
Por ter cuidado pouco e menos.
É amor que à casa invade;
Julga, lambe e leva a sério
Cada detalhe do seu hemisfério,
Quem sabe se é anjo ou divindade?
Quando o cachorro que amo,
Como um raio puxa-me o olhar,
Fazendo-o cruelmente voltar
E eu sinto dentro de mim mesmo,
Percebo apaixonadamente
O gelo de suas garras pálidas.
Escuros olhos, vivas íris
Que me machucam fixamente.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Poema para sete cordas
Trace uma linha reta e siga.
Confie no equilíbrio da mente.
Só não esqueça dos desvios
E das dissonâncias do caminho.
Neste teatro dos ritmos eterno
Cantaremos alto da galeria.
No palco, a condução suprema
Do maestro dos nossos dias.
Se você fosse outra pessoa,
Em outra época, talvez fosse
Fuzilado, enforcado, espancado,
Guilhotinado ou torturado.
Então olhe para fora e veja
Que vai chover.
Vai fazer frio.
Não se proteja.
Confie no equilíbrio da mente.
Só não esqueça dos desvios
E das dissonâncias do caminho.
Neste teatro dos ritmos eterno
Cantaremos alto da galeria.
No palco, a condução suprema
Do maestro dos nossos dias.
Se você fosse outra pessoa,
Em outra época, talvez fosse
Fuzilado, enforcado, espancado,
Guilhotinado ou torturado.
Então olhe para fora e veja
Que vai chover.
Vai fazer frio.
Não se proteja.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Hímen
Sou ignorado como um ariano em momentos de raiva.
Eu estou fora da sua jaula metálica há uma década.
Eu me afastei do repulsivo ninho pendurado da sacada.
Eu gostaria de beber sua febre quando você fica pálida.
Calma. Eu tenho um velho prazer.
Um crédito com o seu caro devaneio.
Tulipas sugadoras de ervas me lembram alguém.
Me corto com unhas de duendes e pele de idoso.
Hímen intacto da Senhorita. Sorte de ninguém.
Faça ressurgir a serpente e destrua o osso.
Eu estou fora da sua jaula metálica há uma década.
Eu me afastei do repulsivo ninho pendurado da sacada.
Eu gostaria de beber sua febre quando você fica pálida.
Calma. Eu tenho um velho prazer.
Um crédito com o seu caro devaneio.
Tulipas sugadoras de ervas me lembram alguém.
Me corto com unhas de duendes e pele de idoso.
Hímen intacto da Senhorita. Sorte de ninguém.
Faça ressurgir a serpente e destrua o osso.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
A perfeição eterna de Deus
É difícil encontrar a Verdade.
Quando a encontramos
É difícil de entender.
A perfeição eterna de Deus
É buscada através do amor.
A união de seres.
Preservação da espécie.
Busca de um patamar superior.
As raízes da criatividade
Em um impulso do inconsciente.
O que amo, odeio, desprezo
E me orgulho na tela do céu.
O que não crê não ama.
Ame demais e encontre
O fim de todas as coisas.
Fim.
domingo, 21 de setembro de 2014
Purgatório
A angústia da idade rende.
Entediado e agora velho.
Juízes da sanidade alheia
Julgam o que julgam certo.
Se eu permaneço em silêncio,
Então guardo o que tenho.
Uma dívida em tenso segredo.
Um que revela o meu medo.
Sumir entre as nuvens.
O barulho incomoda.
O tecido se rompe a cada dia.
Se rompe ainda mais rápido.
Eu tento parar de pensar,
Mas desisto e me torno pálido.
Saiba que não quero morrer
E estou pronto para perdoar.
Todos os imaginados diálogos
Já foram lançados ao ar.
Sumir entre as nuvens.
O barulho incomoda.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Poliana em coma
Entre a rotina e a explosão,
Poliana prefere a não ação.
Total liberdade para se calar.
Uma estrela iluminada no ar.
Brilho crônico sem remissão,
Poliana sobrevive à pressão.
Querem a sujeira modelar
Sem escrúpulos de limpar.
Tédio, tédio, tédio, tédio.
Grita Poliana.
Marciana entre os normais.
Sem escrúpulos de animais.
Ela não tem medo do futuro
Porque ficou presa no passado.
Desastre emotivo inebriante.
Um mistério transparente.
Poliana odeia as pessoas.
Poliana odeia gente.
Quem irá animá-la
Neste deserto?
O dia ou a noite?
A respiração ou o silencio?
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Batismo
Mar de anestesia.
Dê-me um navio
Para cruzar
Essas ondas.
O prazer da infância
E a amargura dos anos.
A ideia do sagrado
No silencio na inocência.
Questões:
- Os parabéns são para o crescimento ou para a diminuição?
- Este ninho de víboras por acaso canta a minha velhice?
- Como crescer se luto contra o meu desaparecimento?
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Apologia
Escravo de sentimentos brutais.
Parentesco místico com os animais.
À espera do Sol que aliviará a noite.
Completo o círculo no altar doente
Das sobrecargas da estrela nascente.
Realidade ou ilusão cósmica?
A maldade de Fílis.
Aristóteles humilhado.
Fábulas indianas.
Proteja-me, Senhor.
Desculpe a falta de fé.
A angústia me domina.
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Princesa
Princesinha, quando virá
me afogar na imensidão do mar?
Peço apenas que poupe o Sol
para que eu possa te enxergar.
Pouco antes do final.
Da arrebentação.
Da redenção
me afogar na imensidão do mar?
Peço apenas que poupe o Sol
para que eu possa te enxergar.
Pouco antes do final.
Da arrebentação.
Da redenção
segunda-feira, 21 de abril de 2014
A literação
Com céu claro caem cantos.
Calam-se cantos do coração.
Minha manhã, meu mundo mar.
Mãe mimética, mas modular.
Bom bater bumbo de beleza
A bem banhar bonito bastar.
Darei dores dadas a doces
Doídos a dedar, a dedilhar.
Calam-se cantos do coração.
Minha manhã, meu mundo mar.
Mãe mimética, mas modular.
Bom bater bumbo de beleza
A bem banhar bonito bastar.
Darei dores dadas a doces
Doídos a dedar, a dedilhar.
sexta-feira, 28 de março de 2014
O contrário de Tudo
Qual é o contrário do Tudo?
Será o Nada? Será o Único?
Dez ou zero explicam o mundo?
Quero saber o papel de súdito.
E quando eu aprender ensinarei
O ruído Criador da Voz Melodia.
Restos da rouca Fala que serei
Dentro de outra plana Alegria.
Então chegará choro.
Lânguidas lágrimas.
Sensual Socorro.
Pouco importa a morte.
Despeço a ignorância.
Busco ter um Norte.
Será o Nada? Será o Único?
Dez ou zero explicam o mundo?
Quero saber o papel de súdito.
E quando eu aprender ensinarei
O ruído Criador da Voz Melodia.
Restos da rouca Fala que serei
Dentro de outra plana Alegria.
Então chegará choro.
Lânguidas lágrimas.
Sensual Socorro.
Pouco importa a morte.
Despeço a ignorância.
Busco ter um Norte.
quinta-feira, 27 de março de 2014
Senhora razão
Mãos ao alto, senhora razão.
Na vida é preciso imaginar
E sentir os dados ao chão,
Ouvidos no esporro do sonhar.
Outra vez brinca com ilusão.
Entre os negros da aquarela
Engana o branco na escuridão.
Lógica que de laranja amarela.
Tenho um prazo para viver.
O passado matei a paulada.
Encarei a nostalgia armada.
Razão, agora vem me querer?
Fujo porque me parece dada
Demais e eu não quero morrer.
Na vida é preciso imaginar
E sentir os dados ao chão,
Ouvidos no esporro do sonhar.
Outra vez brinca com ilusão.
Entre os negros da aquarela
Engana o branco na escuridão.
Lógica que de laranja amarela.
Tenho um prazo para viver.
O passado matei a paulada.
Encarei a nostalgia armada.
Razão, agora vem me querer?
Fujo porque me parece dada
Demais e eu não quero morrer.
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