Ando por estas ruas acabadas,
De Irineu a Vargas,
E noto nas faces observadas
Tédio, fome e chagas.
Na minha revolta de Homem,
Com o pavor de quem não entende,
Penso nas harmonias que somem
Enquanto batem os sinos da mente.
Da catedral o choro conturbado
Afugenta os tímidos cristãos
E do corpo do mendigo esfolado
Escorre o sangue em meio às mãos.
Nas ruas da manhã o que mais penso
É na jovem de programa e de intervalo,
Atrás do fugaz tenro senso
E do matrimônio impossível do gargalo.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Fica em pé
Felipe, levante-se. A vida
É justamente isso que sente.
Hoje bem, amanhã mal.
Hoje é segunda-feira cinza,
Mas na quarta ninguém lembra.
Besteira lutar contra
Ou mesmo chorar.
Fica em pé, fica em pé.
Reserve teu sangue
Para o futuro que pode
Não chegar.
Vai chegar?
A vida, Felipe, seu místico,
Passou sem você perceber.
Com os recalques sonhando.
Por dentro um barulho fatal.
Reza,
Canta,
Santifique tua indolência,
Anúncio do pior plástico.
Barulho sem sentido.
Chega e vai pra onde?
É justamente isso que sente.
Hoje bem, amanhã mal.
Hoje é segunda-feira cinza,
Mas na quarta ninguém lembra.
Besteira lutar contra
Ou mesmo chorar.
Fica em pé, fica em pé.
Reserve teu sangue
Para o futuro que pode
Não chegar.
Vai chegar?
A vida, Felipe, seu místico,
Passou sem você perceber.
Com os recalques sonhando.
Por dentro um barulho fatal.
Reza,
Canta,
Santifique tua indolência,
Anúncio do pior plástico.
Barulho sem sentido.
Chega e vai pra onde?
domingo, 26 de dezembro de 2010
Mar da Solidão
O Mar da Solidão fui visitar
E vi o que já havia notado:
Uma capela de futuros sós,
Como quando eu estava parado.
As ondas de choro não cessavam,
A porta de lágrimas não se abria.
O Mar da Solidão estava revolto
Onde azedo coral feria.
As feridas contaminavam a água
E semeavam o escuro incolor.
Negros peixes em nados ocultos
Atacavam o que restava do amor.
E vi o que já havia notado:
Uma capela de futuros sós,
Como quando eu estava parado.
As ondas de choro não cessavam,
A porta de lágrimas não se abria.
O Mar da Solidão estava revolto
Onde azedo coral feria.
As feridas contaminavam a água
E semeavam o escuro incolor.
Negros peixes em nados ocultos
Atacavam o que restava do amor.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Apuração
Ver a dor
Do que já morreu.
Na porta,
Um dia nascendo.
Novos símbolos.
O que importa,
Em um gesto,
É a imagem
Dita em dedos
Convertidos em
Dons do esquecido.
Do que já morreu.
Na porta,
Um dia nascendo.
Novos símbolos.
O que importa,
Em um gesto,
É a imagem
Dita em dedos
Convertidos em
Dons do esquecido.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Mensagem de Natal
A tristeza do mundo
É a presunção da felicidade.
Sob o fardo
Do Natal.
Sob o fardo
Do Carnaval.
A tristeza
A tristeza que carregamos
É a presunção da felicidade.
Quem irá negar?
Em sonhos
Alcançamos
O ideal,
Com ideias
Construímos
Uma ação,
Na teoria
Apanhamos
Até nos tornarmos
Gente.
Sai fora dessa, coração
Sedento de pureza.
A tristeza do mundo
É a presunção da felicidade.
É a presunção da felicidade.
Sob o fardo
Do Natal.
Sob o fardo
Do Carnaval.
A tristeza
A tristeza que carregamos
É a presunção da felicidade.
Quem irá negar?
Em sonhos
Alcançamos
O ideal,
Com ideias
Construímos
Uma ação,
Na teoria
Apanhamos
Até nos tornarmos
Gente.
Sai fora dessa, coração
Sedento de pureza.
A tristeza do mundo
É a presunção da felicidade.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Amor
O amor, quando se conecta,
É para a ciência do juntar.
Rasga as fotos desta festa
Mas dentro quer perdoar.
Àquele que sonha se expressar
Falto os meios para dizer.
Grita: incomoda o caminhar.
Silencia: preso no crer.
Se por ela ao menos passasse
O fim das vias do meu olhar
A falta da justiça a corasse
E coroasse a retorno do amar...
Mas quem sente demais perde.
Quem se joga se encerra.
Fica sem o chão que se mede.
Fica na solidão de quem erra.
Mas se eu pudesse divulgar
O que pela boca se cala,
Já pagaria pela cruel fala
Porque estou a me expressar.
É para a ciência do juntar.
Rasga as fotos desta festa
Mas dentro quer perdoar.
Àquele que sonha se expressar
Falto os meios para dizer.
Grita: incomoda o caminhar.
Silencia: preso no crer.
Se por ela ao menos passasse
O fim das vias do meu olhar
A falta da justiça a corasse
E coroasse a retorno do amar...
Mas quem sente demais perde.
Quem se joga se encerra.
Fica sem o chão que se mede.
Fica na solidão de quem erra.
Mas se eu pudesse divulgar
O que pela boca se cala,
Já pagaria pela cruel fala
Porque estou a me expressar.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
O humano é a luz do inferno
O humano é a luz do inferno.
Não, ele é... pense melhor.
O humano é a luz do inferno.
Pense melhor. Pense.
O que dá pra fazer?
Não, ele é... pense melhor.
O humano é a luz do inferno.
Pense melhor. Pense.
O que dá pra fazer?
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Inspiração
Gastei horas na busca de palavras
Que os dedos não podem expressar.
Só que elas se escondem dentro
Da bagunça, do som, da poluição.
Estão lá dentro
E não querem se mostrar.
O encanto desta inspiração
Colore os meus longos dias.
Que os dedos não podem expressar.
Só que elas se escondem dentro
Da bagunça, do som, da poluição.
Estão lá dentro
E não querem se mostrar.
O encanto desta inspiração
Colore os meus longos dias.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Alternativa
Fugindo de cidades corrompidas,
Ganhando, como um pássaro a voar,
Um olhar alternado, os lagos pútridos
Com suas gangues de dores doces.
Parecem menos cavalheiros.
Menos sociáveis e menos apresentáveis.
Alunos da furtiva terceira série
Para quem nada mais importa.
Você entra em águas de gasolina
E nada a nervosa carga elétrica
Em um bote. O machucado na pele
Pelo passado de queimaduras.
A mesma idade e na mesma época.
Fugindo das mentiras, suaves mentiras.
Ganhando, como um pássaro a voar,
Um olhar alternado, os lagos pútridos
Com suas gangues de dores doces.
Parecem menos cavalheiros.
Menos sociáveis e menos apresentáveis.
Alunos da furtiva terceira série
Para quem nada mais importa.
Você entra em águas de gasolina
E nada a nervosa carga elétrica
Em um bote. O machucado na pele
Pelo passado de queimaduras.
A mesma idade e na mesma época.
Fugindo das mentiras, suaves mentiras.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Dentro do verão
A lua brilha como pérola. Gasta.
Até a memória se torna história.
Qualquer árvore parece respirar
O que com a solidão angustiante
Ela atravessa a planície.
Suas folhas são contra o calor.
O dia nunca foi tão quente
E o quente nunca foi tão dia.
Jamais antes um dia
Evaporou, evaporou...
Anos atrás, uma pérola
Brilhava na raiz de uma árvore.
O sol agora apareceu
Como uma faísca na depressão.
A faísca está imersa no calor.
Até a memória se torna história.
Qualquer árvore parece respirar
O que com a solidão angustiante
Ela atravessa a planície.
Suas folhas são contra o calor.
O dia nunca foi tão quente
E o quente nunca foi tão dia.
Jamais antes um dia
Evaporou, evaporou...
Anos atrás, uma pérola
Brilhava na raiz de uma árvore.
O sol agora apareceu
Como uma faísca na depressão.
A faísca está imersa no calor.
domingo, 12 de dezembro de 2010
O machucado
Cometi um grave e danoso erro
Que pode comprometer. Não estarei
Satisfeito. As geleiras que matei
Me arrastam e me afundam em segredo.
Para quem, como eu, não foge ao jogo
Arriscado e tão estranho quanto a vida
E os parentes ternos da cinza e do gozo,
Cresça. Não estarei satisfeito. Finda
Não foi minha imagem. A minha alma
Aplicou-se às sombrias silhuetas
Centrais, avessas a vívidas piruetas.
Valentia quero ter. Valentia calma.
Não se tem. Está sempre do outro lado.
A tristeza de um homem machucado.
Que pode comprometer. Não estarei
Satisfeito. As geleiras que matei
Me arrastam e me afundam em segredo.
Para quem, como eu, não foge ao jogo
Arriscado e tão estranho quanto a vida
E os parentes ternos da cinza e do gozo,
Cresça. Não estarei satisfeito. Finda
Não foi minha imagem. A minha alma
Aplicou-se às sombrias silhuetas
Centrais, avessas a vívidas piruetas.
Valentia quero ter. Valentia calma.
Não se tem. Está sempre do outro lado.
A tristeza de um homem machucado.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Batalha qualquer
Casas enfileiradas
homens soldados
caladas rumores roubados.
Uma mulher chora ali.
Um animal cavalga aqui.
Um general ruge lá.
Os tanques gritam cá.
Eita, quanta ignorância, gente.
homens soldados
caladas rumores roubados.
Uma mulher chora ali.
Um animal cavalga aqui.
Um general ruge lá.
Os tanques gritam cá.
Eita, quanta ignorância, gente.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Informação
Em adequação aos fatos.
Da integração à realidade.
Questão salarial pela metade -
O que se espera dos enquadrados.
Cuidado em garantir a verdade.
Assumiram um ar de arrogância.
Criaram um caráter de maldade.
Por isso atuo como em vacância.
A gente tem quem mente.
O mercado aquece pela tragédia.
Esse ano fugimos da crise.
Da integração à realidade.
Questão salarial pela metade -
O que se espera dos enquadrados.
Cuidado em garantir a verdade.
Assumiram um ar de arrogância.
Criaram um caráter de maldade.
Por isso atuo como em vacância.
A gente tem quem mente.
O mercado aquece pela tragédia.
Esse ano fugimos da crise.
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