quinta-feira, 23 de abril de 2015

Livre no mundo

Livre no mundo. Dos mares o lar.
Preso a mudanças em orfandade
Incomodo e grito para atormentar
A falsidade da cruel fraternidade.

Nova vida sobre o chão. Admirável
Caminhar sobre as luzes do olhar.
Alegria medrosa apenas comparável
À migração etérea de um doce lugar.

Um átomo inercial sem esperar o raio.
Em catarse o caminho some o espaço.
Vivo espero explodir em suave desmaio
As amarras que me sufocam sob o laço.

Sufoco a sobrevivência do respiro fatal.
Agonizo à espera da vida e sinais vitais
Gritam os sons do socorro da Mão final.
Silenciar-me próximo à da Glória? Jamais. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Apenas na Cruz

Apenas na Cruz encontro esplendor.
Revelo o coração e o pecado secreto.
Mergulhado no chão olho para o teto.
No vale das lágrimas minha suave flor.

Conservo rezas por honrar a fé “antiga”.
Na frieza de monastérios brilha ardente
Luz aos olhos da alma. Céu que abriga
Os escapes dos desvarios rumo à mente.

De joelhos no chão e o terço de cristal
Na mão, ou oração em cordão de metal,
Em silêncio imploro pelo trovão brutal
A me ressuscitar após golpe duro e fatal.

Luzes calorosas me esperam após frias
Ousadias face ao precipício do medo.
Seguranças de dores e fugas fugidias.
Remorso tardio na esperança do cedo.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Pós-modernismo

A beleza tão odiada está feia.
Ideia sem arte. Criação cheia
De conceitos ensurdecedores.
Entre sujeiras restam as flores.

Saudade afiada do passado mel.
Pintura sonhada elevada ao Céu.
Não precisa seguir o compasso.
O pós-moderno só ocupa espaço.

“Assustar a sociedade". Incivil
Doutrinário de ideia vil. Servil
Escravo de odores horrorosos
Frente a olhares tenebrosos.

Diante de Picasso escultural
O cubo dissolve-se em mortal
Porcaria. Do cheiro podre quem
Sabe o que morre e o que vem?

sábado, 4 de abril de 2015

Movimento

Parado aqui à espera de escutar
O vento que me abraça ao pairar
Sobre minha alma crua e imatura.
O ócio me ofende, mas a procura,
Golpe de melancolia e pobreza,
Enche meus dias de crua beleza.
Não me permito cair em melancolia.
O movimento do corpo à fé: alegoria.