O desassossego de pensar
É o esquecer de sentir
O que ainda não é pra falar
E o que ainda é demais pra pedir.
Esvazie-se do passado imperfeito
Conjugado por verbos irreais.
Assuma que o “nós” é o meio
E o “eu” parte de memórias frugais.
Impotência viral.
Profusão de perdas.
Ganho reverso.
Manchas no mural.
Multidão de deixas.
Amor perverso.
domingo, 30 de junho de 2013
Quadra popular
Se você consegue me sentir
Como sempre te senti,
Não precisaria eu pedir
Para lembrar do que perdi.
Como sempre te senti,
Não precisaria eu pedir
Para lembrar do que perdi.
Sono
Dormi, disperso, e dormir é focar.
Onde sonhei com a calma,
Ouvi que a morte deseja parar
A escuridão que ilumina a alma.
Clara sombra se esconde quando penso
A ilusão desta realidade.
Abro então a boca, respiro e tento
Adentrar a luz que demonstra a idade.
Luz, luz luz, no sono e na morte,
É uma diferente junção de gêmeos
No dia e na noite idênticos no que é forte.
Tudo é mentira, tudo na sua ágil imobilidade
Foge de uma abstração indefinida.
Obviedade ouvida de algo só visto como verdade.
Onde sonhei com a calma,
Ouvi que a morte deseja parar
A escuridão que ilumina a alma.
Clara sombra se esconde quando penso
A ilusão desta realidade.
Abro então a boca, respiro e tento
Adentrar a luz que demonstra a idade.
Luz, luz luz, no sono e na morte,
É uma diferente junção de gêmeos
No dia e na noite idênticos no que é forte.
Tudo é mentira, tudo na sua ágil imobilidade
Foge de uma abstração indefinida.
Obviedade ouvida de algo só visto como verdade.
Destino
Por vinte e três anos, neste vale púrpura,
Fui acordar o meu destino.
Antes, jovem e enérgico da doçura,
Meu corpo se fechará como um espinho.
Em suaves gestos de paz e normalidade,
Sob os meus pés se esfriarão
Vinte e três anos de barulho e fatalidade,
Vinte e três anos de silêncio e razão.
Bendita és pelo sonho doado!
Pelo mal que perdestes do nada!
Pelo ódio que nasceu do lado errado!
Pelos momentos passados com luxúria!
Pela alegria de saber o que serei!
Pela escuridão de entender o que fui!
Fui acordar o meu destino.
Antes, jovem e enérgico da doçura,
Meu corpo se fechará como um espinho.
Em suaves gestos de paz e normalidade,
Sob os meus pés se esfriarão
Vinte e três anos de barulho e fatalidade,
Vinte e três anos de silêncio e razão.
Bendita és pelo sonho doado!
Pelo mal que perdestes do nada!
Pelo ódio que nasceu do lado errado!
Pelos momentos passados com luxúria!
Pela alegria de saber o que serei!
Pela escuridão de entender o que fui!
Alguém independente
Não sou alguém independente.
Independente são as minhas ideias
E minhas ideias são todas sentimentos.
Faço com as mãos e com o tato
E com os olhos e o olfato
O melhor de um abraço.
Ver uma rosa é cheirar e gozar
E amar um anjo é conhecer-lhe na dor.
São em dias de muito frio
Que me sinto satisfeito de tocá-la.
Beijo-lhe sob os lençóis vermelhos
E abro meus olhos inchados.
Do choro desperto da realidade
De uma ilusão e uma mentira.
Independente são as minhas ideias
E minhas ideias são todas sentimentos.
Faço com as mãos e com o tato
E com os olhos e o olfato
O melhor de um abraço.
Ver uma rosa é cheirar e gozar
E amar um anjo é conhecer-lhe na dor.
São em dias de muito frio
Que me sinto satisfeito de tocá-la.
Beijo-lhe sob os lençóis vermelhos
E abro meus olhos inchados.
Do choro desperto da realidade
De uma ilusão e uma mentira.
sábado, 29 de junho de 2013
Da admiração
Existiram braços que afogaram epístolas
E quiseram caminhar
Sobre o chão e seu órgão finito.
Existiram momentos
Em que o continente se descobriu fluido
E escorreu pelas veias.
Pela terra...
Uma rosa sorria.
E quiseram caminhar
Sobre o chão e seu órgão finito.
Existiram momentos
Em que o continente se descobriu fluido
E escorreu pelas veias.
Pela terra...
Uma rosa sorria.
Na cama
Aqui onde termina o ruído
Sou eu,
Uma repulsa, uma retração
Como deseja o áspero vazio
Que expulsa a eternidade impura de pesadelos
Na alegre, muito alegre ausência de pés sem raízes,
Negros e profundos como o prazer,
Negros e profundos como o próprio olhar.
Sou eu,
Uma repulsa, uma retração
Como deseja o áspero vazio
Que expulsa a eternidade impura de pesadelos
Na alegre, muito alegre ausência de pés sem raízes,
Negros e profundos como o prazer,
Negros e profundos como o próprio olhar.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
P.C.
A tela acesa.
(Eu a acendi)
Brilha uma beleza.
Frente ao meu rosto,
Na sala lotada
Junto com o meu pesar,
Jaz sobre a mesa sentada
Um cubo a desnortear.
(Eu a acendi)
Brilha uma beleza.
Frente ao meu rosto,
Na sala lotada
Junto com o meu pesar,
Jaz sobre a mesa sentada
Um cubo a desnortear.
Livrai-me de toda lucidez
Livrai-me de toda lucidez.
Amém de luzes tardias
Desnutridas sob o soprar
O normal e sua flacidez.
Moleza que refém fazias
Do meu pesar a carregar.
Serei o que você me fez
E me tornarei o que querias
Quando este calor passar.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Pompeia
E aquelas mãos modernas de um futuro
Próximo caminham sobre a mata brasileira?
E será o Macunaíma da terra
Na floresta brasileira visto como queira?
Próximo caminham sobre a mata brasileira?
E será o Macunaíma da terra
Na floresta brasileira visto como queira?
E as grades e barreiras das Trevas
Escurecem os cantos de nossas baías?
E foi Pompeia destruída por aqui
Entre essas luminosas areias macias?
Escurecem os cantos de nossas baías?
E foi Pompeia destruída por aqui
Entre essas luminosas areias macias?
Expulse esta porção de fria larva:
Expulse estes alvos de desprezo:
Expulse este peito: ó chão obscuro!
Expulse este veículo de gelo!
Expulse estes alvos de desprezo:
Expulse este peito: ó chão obscuro!
Expulse este veículo de gelo!
Eu vou começar uma batalha mental.
Meu coração deve acordar nos meus pés
Até finalmente destruirmos Pompeia
Na mata e nas areias brasileiras ao invés.
Meu coração deve acordar nos meus pés
Até finalmente destruirmos Pompeia
Na mata e nas areias brasileiras ao invés.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Revelação
Amei mais o que me é diferente,
Expulsei o vírus e destruí a gripe.
Pensei em algumas ideias,
Bruscas, cedo, ao ir ao trabalho.
Recebi recebendo e agarrei agarrando
(Visionário certamente é quem mostra a boca
Em cima do berço). E ao meio-dia
Restos incham-se. Os piores.
Do que sobrou, como sentir uma mulher
E tudo que ela afirma de doçura,
De regências animais, sussurros
De choro, desistência, raiva e ingratidão?
Amei mais a você mesma,
enquanto próxima. Amei tudo.
Inclusive essa flor – vinha rosa e sã -
que se recompôs na pata da imaginação.
Expulsei o vírus e destruí a gripe.
Pensei em algumas ideias,
Bruscas, cedo, ao ir ao trabalho.
Recebi recebendo e agarrei agarrando
(Visionário certamente é quem mostra a boca
Em cima do berço). E ao meio-dia
Restos incham-se. Os piores.
Do que sobrou, como sentir uma mulher
E tudo que ela afirma de doçura,
De regências animais, sussurros
De choro, desistência, raiva e ingratidão?
Amei mais a você mesma,
enquanto próxima. Amei tudo.
Inclusive essa flor – vinha rosa e sã -
que se recompôs na pata da imaginação.
sábado, 22 de junho de 2013
Escravos de ideologia
Li no mural "a mídia nos controla".
Novidade. "Mídia" sempre foi carola.
Mas diga você o que é essa "mídia".
Não é o reflexo de sua opinião vadia?
Agora me diga você o que é um "povo"?
Se não me encaixo eu sou um exilado
Fora de sua nobre concepção de "povo"?
Um "vendido" de pensamento mutilado?
Saúde, educação e segurança pública.
Confie. Todos querem essa República.
O que difere é como se faz a súplica.
Sou o silêncio e você a guerra pudica.
Escravo de ideologia.
Aonde a vaca vai, o boi vai atrás.
Sua alma cai. Subserviência satisfaz.
Aonde a vaca vai, o boi vai atrás.
Sua alma cai. Subserviência satisfaz.
Vamos lá. Junte-se feliz à multidão.
Doce sangue colorido de boa intenção.
Sejamos doces escravos de ideologia.
Vejo duro golpe por trás da ilusão.
Vejo duro golpe por trás da ilusão.
Vejo duro golpe por trás da ilusão.
Sejamos doces escravos de ideologia.
Vejo duro golpe por trás da ilusão.
Ódio concentrado na minha opinião.
Ué, não sou vendedor de admiração.
Não nasci ontem. Não nasci em 68.
Por Mao e Sartre só tenho aversão.
Sejamos doces escravos de ideologia.
Sejamos doces escravos de ideologia.
Corrupção.. zero. Tolerância.. zero.
Limite atrofiado por gasosa ideologia.
Continuem a caminhar. Seguir a canção
Na direção do novo país terão admissão.
Continuem a acreditar na cru revolução.
Sai a democracia e entra a... aflição.
O autoritarismo sorri neste diapasão.
Moi? Je veux rester calme à la maison.
Sejamos doces escravos de ideologia.
Na inércia busco outro modo de ação.
Na inércia busco outro modo de gritar.
Na inércia busco outro modo de amar.
Quero ver me dizer que estou errado,
Quando não acredito em tudo quebrar.
Fico aqui a quebrar minhas ideias
Para branco mural de vazias plateias.
Bom saber quando é a hora de perder.
O momento saudável para retroceder.
De violência só quero a minha mente,
Poço de pesadelos do que é o saber.
Informações lutam por lugar ao foco.
Torço para ter a sóbria razão de poder
Ter a calma diante de falas imbecis
A reclamar calma diante do que é PT.
O Cacete a calma diante do que é PT.
Não quero calma por desmandos do PT.
Cansei de calma junto à ditadura PT.
Mas que se dane calma frente ao PT.
Não suporto mais calma frente ao PT.
Então por isso vamos todos à destruição?
Declarar lealdade ao pecado de exceder?
Esquecer beleza do particular transcender?
É tudo o que eu mais precisava entender.
Novidade. "Mídia" sempre foi carola.
Mas diga você o que é essa "mídia".
Não é o reflexo de sua opinião vadia?
Agora me diga você o que é um "povo"?
Se não me encaixo eu sou um exilado
Fora de sua nobre concepção de "povo"?
Um "vendido" de pensamento mutilado?
Saúde, educação e segurança pública.
Confie. Todos querem essa República.
O que difere é como se faz a súplica.
Sou o silêncio e você a guerra pudica.
Escravo de ideologia.
Aonde a vaca vai, o boi vai atrás.
Sua alma cai. Subserviência satisfaz.
Aonde a vaca vai, o boi vai atrás.
Sua alma cai. Subserviência satisfaz.
Vamos lá. Junte-se feliz à multidão.
Doce sangue colorido de boa intenção.
Sejamos doces escravos de ideologia.
Vejo duro golpe por trás da ilusão.
Vejo duro golpe por trás da ilusão.
Vejo duro golpe por trás da ilusão.
Sejamos doces escravos de ideologia.
Vejo duro golpe por trás da ilusão.
Ódio concentrado na minha opinião.
Ué, não sou vendedor de admiração.
Não nasci ontem. Não nasci em 68.
Por Mao e Sartre só tenho aversão.
Sejamos doces escravos de ideologia.
Sejamos doces escravos de ideologia.
Corrupção.. zero. Tolerância.. zero.
Limite atrofiado por gasosa ideologia.
Continuem a caminhar. Seguir a canção
Na direção do novo país terão admissão.
Continuem a acreditar na cru revolução.
Sai a democracia e entra a... aflição.
O autoritarismo sorri neste diapasão.
Moi? Je veux rester calme à la maison.
Sejamos doces escravos de ideologia.
Na inércia busco outro modo de ação.
Na inércia busco outro modo de gritar.
Na inércia busco outro modo de amar.
Quero ver me dizer que estou errado,
Quando não acredito em tudo quebrar.
Fico aqui a quebrar minhas ideias
Para branco mural de vazias plateias.
Bom saber quando é a hora de perder.
O momento saudável para retroceder.
De violência só quero a minha mente,
Poço de pesadelos do que é o saber.
Informações lutam por lugar ao foco.
Torço para ter a sóbria razão de poder
Ter a calma diante de falas imbecis
A reclamar calma diante do que é PT.
O Cacete a calma diante do que é PT.
Não quero calma por desmandos do PT.
Cansei de calma junto à ditadura PT.
Mas que se dane calma frente ao PT.
Não suporto mais calma frente ao PT.
Então por isso vamos todos à destruição?
Declarar lealdade ao pecado de exceder?
Esquecer beleza do particular transcender?
É tudo o que eu mais precisava entender.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Saudade do que vem
Amanhã é consequência do hoje.
Agora nada. Depois menos viver.
Em ansiedade vejo vazio futuro
De ausência do que poderia ser.
Não dá para voltar ao passado.
Erros a arranhar a consciência.
A espetar os nervos do meu sono
Até morrerem em vã resiliência.
Desistir? O que será decisão
Ante a fé de querer persistir
No que me faz poder acreditar
No mar de risos que é existir?
Agora nada. Depois menos viver.
Em ansiedade vejo vazio futuro
De ausência do que poderia ser.
Não dá para voltar ao passado.
Erros a arranhar a consciência.
A espetar os nervos do meu sono
Até morrerem em vã resiliência.
Desistir? O que será decisão
Ante a fé de querer persistir
No que me faz poder acreditar
No mar de risos que é existir?
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