terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Sol renasce

Lágrimas solitárias.
Não serão mais choradas.
Com as mãos no ar
Veja a era das plumagens molhadas.

Montanha nevada azul.
Geada doce do sul.

Voando por estas paisagens
Douradas de velhas folhagens
Dores abandonadas nas pastagens.

Paz na manhã.
Paz na tarde.
Paz na manhã.
Nas nuvens e de volta pra casa.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Pequena Margarida

Cadê a pequena Margarida?
Sobre o largo muro.
Armada até os brincos,
Projéteis de seu murro.

Não suporto o temor.
Medo de olhos verdes.
Riscam como diamante.
Como facas nas paredes.

Prefiro assim ficar sozinho
Onde o sol é um garoto
Prestes a se tornar homem
E medroso esconde o rosto.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sil. Pedras

Pare a destruição.
Jogue fora as pedras
E construa suas pontes.
Olhe o futuro sempre.
Esqueças as pedras e crie plantas.
Olha.
Faz do incerto futuro
Uma ponte.
Assim morrerá no que é eterno
E nas lembranças do finito.
As ideias são de uso universal.
Faz o que é teu.
Preenchas estes dados
E não cancele sua utilidade
Aos devaneios dos ideais.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Embaixo de chuva

Embaixo de chuva, a janela que escorre,
A água, o relâmpago, o choro, a lágrima,
Para além do ar que pesa e morre,
Para além da luz e sua descarga cálida.

Nada espírito, alegre e finito,
E como um pássaro na água voe,
Aborva o seu coração de menino
No vapor azedo de um coice.

Avance, avance pela gota
E purifique seu pensamento.
Beba lúcido o que há na folha
Transparente atrás do cimento.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Estrutura

Edifícios! Pontes!
Por que buscam a perfeição?

Eu estudei a arquitetura
De criar, que sempre dura.

Um brinde à estrutura
Que constrói a coruja.

Não terei mais chão.
Perdi tempo. Um grão.
Virou desculpa qualquer
De quem não se quer.

Prédios! Pontes!

Quando forem destruídos
Restarão os entes queridos.

Prédios! Pontes!