domingo, 29 de setembro de 2013

Que intensa é a terra

Que intensa é a terra. Como difere
Do nada ruim da morte que grita.
Assim meu coração imóvel parece
Saber resolver essa dúvida menina.
Mas sim; ou sou a cidade iluminada
Ou sou um Pessoa mais uniforme.
O corpo é arte de música iluminada
E nada começa em tudo que é nome.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Música

Eu quero dizer mais.
Ouça
Insultos guardados.
Faltam palavras banais.
Ouça
Sentimentos domados.

Eu sou uma mímica.
Ouça
A rispidez dos gestos.
Eu passo. Você fica.
Ouça
Violência dos olhos.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Não conheço bem meus segredos

Não conheço bem meus segredos.
Toda vida fui constante.
De repente me encontro.
Sempre me encontro no instante.
De pouco existir, poucos segredos.
Cada segredo a seguir medos.
Cada encontro a reforçar o encontro.
Cada memória a destruir a memória.

Distraído ao que penso e sinto,
Fico sozinho contra eles.
Todas as minhas atenções eu minto
Para que não morra nas mãos deles.
Quero minha prometida terra.
Procuro minha prometida terra.
Único, imóvel e sozinho.
Desconheço como viver com.

sábado, 21 de setembro de 2013

Inverso do mundo

Coragem, ousadia e liderança.
Não tenho ainda, mas quero ter.
Aguardo o fim sem esperar muito.
A ideia é não desejar e não temer.
Morte do ego muitas vezes ocorreu.
Morte do ego muitas vezes ocorrerá.
Da minha parte, orgulho domina tudo.
Difícil assassinar o que me sustenta.
Temo substituir o que faz sofrer.
Quase desprezo a frieza da maioridade.
Vou morrer após viver sozinho para mim
E assim ter criado o inverso do mundo.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O livro

O livro possui os horrores do deserto.
As páginas escorrem por entre palavras.
Cavalgo em dunas e afasto o que é certo.
O duvidoso capota sobre frases amadas.

Levanto enérgico os ombros desleixados.
Olhos cansados a buscar o foco no vão.
No meio das arestas métodos deixados
A sonhar a disciplina remendada no chão.

Vibra a oração, filha da inspiração.
Criação santificada de conexão pagã.
Afasta de mim o ar e deixa o grão.

Acalenta este gélido monstro, seu fã.
A paz da ignorância. Pesar do saber.
Quanto mais eu sei, menos posso fazer.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Índia

Para a frente, calmo e sem parar.
Buzinas a queimar tempo e espaço.
Especiarias e condimentos pelo ar.
Pé atrás e mente a olhar ao lado.

Fico pesado com as leis da Física.
Rodas tentam girar contra o relógio.
Transporte regado à agonia mística.
Fermento avulso de atração e ódio.

Poeira levantada pelo chamado Deus
ou deuses de tão insólita beleza.
Luz entre doces partículas de seus

Lábios a gritar sobre uma tristeza.
Rezo para que de olhos abertos meus
Passados se choquem com uma certeza.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Exagero


Construo os meus dias sobre o paroxismo.
Culto idolátrico do exagero.
Militante da hipérbole.
Vejo o divino no que é mais.

Pela profecia
Sou convencido e denomino
O que de mais milagroso possa me servir.