terça-feira, 28 de outubro de 2014

O cachorro

De sua pelagem morena e negra
Carinho tão intenso se desprende
Que fiquei atormentado somente
Por ter cuidado pouco e menos.

É amor que à casa invade;
Julga, lambe e leva a sério
Cada detalhe do seu hemisfério,
Quem sabe se é anjo ou divindade?

Quando o cachorro que amo,
Como um raio puxa-me o olhar,
Fazendo-o cruelmente voltar
E eu sinto dentro de mim mesmo,

Percebo apaixonadamente
O gelo de suas garras pálidas.
Escuros olhos, vivas íris
Que me machucam fixamente.

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