quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Centro

Ando por estas ruas acabadas,
De Irineu a Vargas,
E noto nas faces observadas
Tédio, fome e chagas.

Na minha revolta de Homem,
Com o pavor de quem não entende,
Penso nas harmonias que somem
Enquanto batem os sinos da mente.

Da catedral o choro conturbado
Afugenta os tímidos cristãos
E do corpo do mendigo esfolado
Escorre o sangue em meio às mãos.

Nas ruas da manhã o que mais penso
É na jovem de programa e de intervalo,
Atrás do fugaz tenro senso
E do matrimônio impossível do gargalo.

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